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Noruega inicia desligamento do rádio analógico FM - última etapa da migração para o rádio digital

O dia 11 de janeiro de 2017 foi um dia histórico para a radiodifusão mundial. Pela primeira vez no mundo, um país, a Noruega, iniciou o processo de desligamento das transmissões analógicas de rádio FM, após período de transmissão simultânea dos sinais FM e DAB (Digital Audio Broadcast).

No dia 11 de janeiro, as 11h, 11min e 11s da manhã foi iniciado o processo de desligamento das emissoras FM do país, iniciando-se na região de Nordland, e até o final do ano praticamente todas as transmissões sairão do ar. Somente algumas estações FM de rádio locais do interior do país terão permissão do governo para permanecerem no ar por mais alguns anos.

No dia 10 de janeiro, uma conferência para discutir o desligamento do rádio analógico aconteceu em Bodø.

A penetração do rádio digital na Noruega, com suas características tradicionais (assim como no rádio analógico) de ser aberto e gratuíto, transmitido "pelo ar", é de 70% da população, e mesmo num país com penetração da Internet de praticamente 100%, somente 19% dos ouvintes acessam o serviço de rádio pela Internet. Nos próximos 2 anos e meio o governo da Noruega espera que toda a população tenha acesso a receptores de rádio digital.

O sistema de rádio digital em uso na Noruega, o DAB (Digital Audio Broadcast) pode-se dizer que é um sistema irmão do DRM (Digital Radio Mondiale), compartilhando o mesmo codificador de áudio (AAC) e serviços (Journaline, SlideShow, etc).

No entanto, o DAB possui também profundas diferenças com relação ao DRM. O DAB foi concebido para o modelo de operador de rede, com canais de 1,5MHz na banda 3 do VHF (a banda 3 do VHF, conhecida também como VHF Alto, é a faixa correspondente aos canais 7 ao 13 de TV), que permitem a transmissão de 15 serviços de rádio por operador. No Brasil, o DAB não seria possível pois emissoras de TV Digital operam nesses canais do VHF, além do fato do modelo de operador de rede não combinar com a radiodifusão brasileira. O DRM, por outro lado, opera em largura de banda estreita, da mesma forma que as atuais transmissões analógicas AM e FM, podendo operar nas mesmas bandas já alocadas para radiodifusão no país: Ondas Médias, Ondas Tropicais, Ondas Curtas e VHF banda 2, permitindo que as emissoras atualizem seus transmissores para transmitir em digital mantendo-se na mesma banda de frequência (e talvez até no mesmo canal), e não precisem migrar para um modelo de transmissão centralizado com operador de rede nem permanecer utilizando um sistema analógico antiquado - AM e FM.

Assim como na Noruega, um dia o Brasil irá digitalizar o rádio, e o mais importante nesse momento é a escolha do modelo de referência para o Sistema Brasileiro de Rádio Digital, que nós, do DRM-Brasil, acreditamos firmemente ser o Digital Radio Mondiale com melhorias nacionais, como o suporte ao Ginga.

Mais informações em: http://www.bbc.com/news/world-europe-38578050

Vídeo de Leonaldo Ferreira, participante do DRM-Brasil: https://www.youtube.com/watch?v=Rm0x8TnP2TY



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